Bioshock Infinite – História e Arte

bioshock-infinite-michael-renzetti-tipo-comecando-de-novo

A maioria dos ~críticos~ dizem, com razão, que os jogos de videogame geralmente nos apresentam histórias fracas, batidas, e que somos levados a jogá-los muito mais pelas mecânicas do que qualquer outra coisa. Normalmente temos que salvar uma princesa (que está em outro castelo), e passamos por diversos puzzles, inimigos, chefes e coisas do tipo para realizar esse objetivo. É a famosa história da “Donzela em Apuros”, imortalizada pelo clássico Donkey Kong que, aliás, trouxe a público pela primeira vez Mario – que não se chamava Mario ainda, e sim Jumpman. Esse modelo se repetiu infinitamente, e é utilizado até hoje em diversos jogos. Anita Sarkeesian, crítica feminista, faz uma boa análise desse cenário.

A falta de boas histórias nos jogos contribui para que eles não sejam elevados a maiores níveis de importância, como, por exemplo, o cinema. Apesar do crescimento absurdo da indústria de videogames, com alguns títulos como GTA e Call of Duty conseguindo criar franquias tão imponentes e rentáveis como algumas produções cinematográficas, jogos ainda são tratados com preconceito ou como uma forma secundária de entretenimento. Toda a discussão sobre videogame ser ou não uma forma de arte passa por essa falta de afirmação dos jogos.

Apesar do absurdo que é Journey não ser considerado arte por ser um jogo e Os Mercenários ser considerado arte por ser um filme, existem muito mais obras cinematográficas relevantes que jogos, e isso contribui para que o cenário continue o mesmo. Eu tenho a plena certeza que videogame é arte, mas não é todo jogos de videogame que faz alguma intervenção artística. Exatamente como o cinema, mas numa menor escala.

journey-michael-renzetti-tipo-comecando-de-novo

Não tem como dizer que Journey, Thomas Was Alone e Gone Home não façam coisas que transcendam simples mecânicas de jogos, que te fazem pensar e sentir. São jogos fora do comum, com algo a mais, que mexem com os jogadores. Fiquei apaixonado pela narração de Thomas Was Alone. Não conseguia acreditar que estava vendo formas retangulares com personalidades bem definidas, que estava torcendo por elas. Chegava a pensar “isso é típico do Cris”, simpatizava com as preocupações de Laura, ficava feliz por Claire, e esquecia que todos os personagens eram formas retangulares. Simples formas retangulares. Isso é arte.

Thomas-Was-Alone-michael-renzetti-tipo-comecando-de-novo

Bioshock Infinite também é arte. No início, o jogo aparenta seguir a premissa da donzela em apuros. Você controla Booker DeWitt, personagem que tem algum tipo de débito com um homem e é contratado por ele para resgatar uma garota aprisionada numa torre de uma estranha cidade flutuante chamada Columbia, e a trazer de volta para Nova Iorque. Até aí tudo normal, um jogo bastante comum de tiro em primeira pessoa.

Depois de resgatar a garota, chamada Elizabeth, as coisas começam a mudar. Você é puxado para dentro de um universo estranho. A cidade é controlada por um grupo chamada Os Fundadores, liderado pelo profeta Zachary Hale Comstock – o principal antagonista do jogo. Booker DeWitt é considerado o falso pastor que, pelas visões de Comstock destruiria Columbia, e passa a ser perseguido.

Ao mesmo tempo, um outro grupo chamado “Vox Populi” tenta acabar com o controle dos Fundadores e o trazer de volta para o povo, já que grande parte da população é tratada como escravos pela minoria rica da cidade. E você acaba se envolvendo – e ajudando os Vox Populi – nessa guerra.

Elizabeth, diferentemente de qualquer jogo ao estilo donzela em apuros, passa a ser parte ativa na jogabilidade a partir do momento em que descobrimos que ela pode abrir portais para outras realidades. É sempre o mesmo mundo, mas um pouco diferente.

Essa nova mecânica muda o jogo completamente. Até nas batalhas. Agora Elizabeth pode liberar munição, armas e até máquinas que te auxiliam a vencer os soldados adversários. E você começa a transitar em diversas realidades fazendo de tudo para escapar de Columbia.

Não quero dar mais spoilers do jogo. Só queria deixar claro que a história é complexa e bem escrita, repleta de bons personagens e cheia de reviravoltas. E isso sem falar na inacreditável parte final do jogo, que me deixou sem palavras por alguns minutos.

Bioshock tem história.

Além disso, é um jogo lindo. Os gráficos desenhados, diferente do completo realismo que os jogos de hoje em dia almejam, dão uma beleza única ao universo de Columbia e aos personagens. As músicas que os desenvolvedores escolheram – versões diferentes de canções famosas como God Only Knows dos Beack Boys e Tainted Love de Ed Cobb – dão todo o clima de que estamos perdidos no tempo. E no meio disso tudo, temos essa coisa maravilhosa:

Se esse jogo fosse um filme, seria um dos melhores do ano, com certeza absoluta. É um dos melhores de 2013, e um dos melhores que já joguei na vida. É uma obra de arte.

Nota do jogo: 24754825720 Elizabeths de 24754825720.

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 – Divisões e adaptações

Jogos-Vorazes-A-Esperança-Parte-I-michael-renzetti-just-like-starting-over

Odeio quando o “pessoal do cinema” divide uma adaptação de livro em mais de um filme. BILHÕES de filmes foram feitos baseados em livros e normalmente o “pessoal do cinema” conseguia condensar tudo muito bem em apenas uma projeção de duas ou três horas. A adaptação de Martin Scorsese para o livro Paciente 67 é perfeita. Ilha do Medo é um belo filme, que consegue mostrar com detalhes praticamente tudo narrado na obra do escritor Dennis Lehane. Quando fui assistir ao filme nem sabia da existência do livro. Fui na aposta fácil da dupla Dicaprio + Scorsese.  Saí do cinema e fui direto para a livraria, juro. Comprei o livro para tentar entender melhor o que havia acabado de acontecer no filme. Mas não deu certo. A adaptação foi perfeita, filme e livro eram idênticos.

Já em A Rede Social, o diretor David Fincher e o roteirista Aaron Sorkin (maior roteirista) conseguiram fazer um filme muito, mas muito melhor que o livro Bilionários por Acaso – A Criação do Facebook, que na minha opinião é uma obra terrível, sofrível. Não sei se o problema foi a tradução ou o livro é realmente ruim, mas não gostei nem um pouco. Já o filme é excelente, muito bem escrito e dirigido.

Por isso, sempre fui contra o que fizeram em O Hobbit. Peter Jackson pegou um dos meus livros favoritos desde criança, um pequeno livro para ser mais acurado, e o transformou em uma trilogia, ao melhor estilo Senhor dos Anéis. O único problema era que a trilogia do Senhor dos Anéis  são três filmes baseados em três livros. Já em O Hobbit, são três filmes baseados em apenas um livro. E um livro bem menor e menos detalhado que qualquer um dos Senhor dos Anéis. Por isso, em minha opinião, a obra cinematográfica sofreu bastante. O primeiro filme é até bom, seguiu bem o que acontece no livro. Já o segundo filme é absurdo. Foram introduzidos personagens que não existem, personagens de outros filmes que não deveriam estar ali, romances improváveis e inexistentes, enfim, fizeram de tudo para alongar e dar um maior ar de “jornada épica” para a história.

Pensei que o mesmo aconteceria em Jogos Vorazes. Após um excelente primeiro filme e um bom, mas corrido, segundo, achava que dividir o terceiro em dois – para ganhar mais dinheiro, como muitas obras recentes fizeram – era um erro que “mataria” a franquia. E meu Deus como estava errado.

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 acompanha perfeitamente o livro, nos mínimos detalhes, cada evento muito bem narrado e explorado, com o mesmo peso da obra da autora Suzanne Collins. Ao término do filme fiquei impressionado na perfeição da adaptação. Você pode não gostar da história, mas não há como dizer que a obra não fora bem dirigida.

Achei que o segundo filme havia passado muito rapidamente. Que algumas coisas importantes do livro haviam sido corridas ou até mesmo esquecidas na obra cinematográfica. Por exemplo, lembro claramente que a parte da torneira de água que Peeta coloca na árvore era bem maior e mais significativa. Que passávamos mais tempos com os personagens e seus pensamentos. O segundo livro é meu favorito, e o filme não correspondeu. Foi menor.

Por isso devo dar o braço a torcer para o “pessoal do cinema” e dizer que a separação do último filme em duas partes foi um belo acerto. Consegui ver tudo que queria com detalhes, a história foi bem exposta, a progressão parecia natural, nada foi corrido ou esquecido. Eles ganham mais dinheiro e eu tenho uma boa história bem filmada. Todo mundo ganha (menos o meu bolso, pois paguei 23 reais para assistir um singelo filme – vamos melhorar esses preços aí galera só depende de vocês).

Não sei porquê mas tenho a LIGEIRA impressão de que acabou dando tudo certo mais por sorte do que qualquer coisa, mas tudo bem, não vamos reclamar de coisa boa.

Nota do filme: 734 de 9457420 Jennifer Lawrences.

Até a próxima.

Curvas da vida

Trouble-with-the-Curve-curvas-da-vida-michael-renzetti

O nome original do filme é Trouble with the Curve, traduzindo, problema com a curva, o que não faz da tradução brasileira escolhida para estampar seus posters e capas uma má ideia. Na verdade, a versão tupiniquim do título para o filme é tão clichê que combina com a maioria das cenas do longa.

Mas não me leve a mal. Clichê só é ruim para quem não sabe se curtir. Desde o início, quem tem mais de dois neurônios sabe como a história vai se desenrolar. Mas isso não importa. A gente está aqui pela viagem, não pela recompensa no final.

No filme, Clint Eastwood é um olheiro de baseball. Um dos melhores. Mas está velho e ficando cego, o que compromete seu trabalho. Ele é um daqueles homens antigos, que ficaram perdidos no tempo e não fazem questão de aprenderem a viver nessa “sociedade tecnológica”. “RUUU EU COMO PIZZA NO CAFÉ E LEIO JORNAL PARA SABER COMO O JOGADOR FOI NA ÚLTIMA PARTIDA, QUE SE FODA O COMPUTADOR”. (Ele não disse isso durante o filme, mas pensou, provavelmente).

Com razão, os dirigentes do time para quem Eastwood trabalha ficam preocupados, e juntamente com a insistência de outro empregado (que utilizava todo tipo de tecnologia para avaliar atletas), perdem a confiança no velho olheiro e enviam secretamente outro rapaz para avaliar o menino prodígio Bo Gentry.

Bo é a pessoa feita para ser odiada no filme. É o clichê do atleta que se acha e acaba falhando. Só de ver sua primeira cena, quando pede um amendoim para um vendedor – que é jovem e manda o saquinho com grande força, fazendo você pensar “nossa, ele seria um bom arremessador” – você percebe que Bo não vai longe na vida.

John Goodman faz o papel de melhor amigo de Eastwood e, visitando-o, percebe algo de errado. Ele está ficando cego. Então pede para a filha do olheiro, a ótima Amy Adams, acompanha-lo na viagem para avaliar Bo Gentry.

Adams é uma advogada, e faz de tudo para se tornar sócia da empresa num daqueles clichês de pessoa-que-odeia-o-trabalho-mas-trabalha-duro-para-ser-a-melhor. Ela está prestes a realizar seu “sonho”, mas larga tudo para acompanhar o pai no clichê filho-querendo-a-aprovação-do-pai-mesmo-sendo-bem-resolvido-na-vida.

E a partir daí um filme que era regular fica bom. As “aventuras” de Adams e Eastwood na cidadezinha em que Bo Gentry jogava Baseball são muito divertidas. Você aprende mais sobre o relacionamento problemático dos dois, vê que ela entende muito de baseball no clichê mulher-entende-também-de-esportes-eu-me-interesso-secretamente-pela-profissão-do-meu-pai e é apresentado a Justin Timberlake. Um clichê de jogador de baseball que se machucou e teve que se contentar a uma função menor no esporte. Era o olheiro dos Red Sox.

Com a magia do clichê, Justin (posso chama-lo de Justin?) se apaixona por Adams e fica próximo à família. Eastwood descobre, em um grande clichê, que Bo Gendry não é tão bom e avisa Justin. O ex-jogador não contrata o garoto (seu time tinha a primeira escolha). Mas o time de Eastwood ignora seus conselhos e assina com Bo, fazendo Justin ficar muito bravo e ir embora no clichê da raiva-injustificada-que-aparenta-acabar-com-o-relacionamento.

Justin volta, Bo Gentry se prova não ser tão bom, pois Adams acha na frente de seu hotel o garoto do amendoim, e ele é o melhor arremessador do universo. É tanto clichê que eu nem sei mais onde estou.

É um filme divertido, que conta uma história simples de forma leve. Os atores são ótimos, até mesmo Justin Timberlake. Ele não se arrasta, não te cansa, e acho que é uma característica muito positiva para o gênero.

Nota: 2,5 Suit and Ties de 5 possíveis.

Sleeping Dogs

sleeping-dogs-ps3-michael-renzetti

Sleeping Dogs tem toda aquela liberdade moleque que você necessita em jogos de mundo aberto. Apresenta uma ótima mecânica de batalhas – que só perde para Batman Arkham City – um controle muito divertido sobre veículos (carros, motos e, olhem só, BARCOS) e, o melhor de tudo, tem uma história muito legal.

Em Sleeping Dogs você é Wei Shen, um ~SPOILER QUE VOCÊ VÊ NOS PRIMEIROS CINCO MINUTOS DE JOGO~ policial disfarçado que vai para Hong Kong se infiltrar numa gangue, os Sun On Yee. Como toda grande história de policiais infiltrados em gangues que você encontra no cinema, Wei tem um passado problemático e motivações muito maiores do que “apenas” prender todo mundo.

O que mais me surpreendeu no jogo são suas mecânicas. Mesmo se a história não fosse tão boa – e ela tem seus problemas, não se engane – é tão legal fazer qualquer coisa em Sleeping Dogs que eu perdoaria tudo. Mas a história é ótima também, e a cada nova missão você aprende mais habilidades, se torna um jogador melhor.

Você tem três tipos de habilidades, que permitem destravar atributos diferentes.

“Face” representa a consideração que você tem na quebrada, ou apenas seu “status”, se você não é fluente na linguagem de rua como eu. Serve para destravar roupas, carros e casas melhores. Para subir de nível nele você precisa apenas fazer favores para pessoas aleatórias. E esses favores, para mim, são algumas das missões mais divertidas do jogo, pois envolvem usar as mecânicas de Sleeping Dogs para brincar pelo mapa.

“Police” é sua habilidade como policial, e destrava facilitadores para combates. Você fica mais forte, consegue desarmar o inimigo mais facilmente, atirar melhor e em câmera lenta. E para ganhar experiência é só ficar dentro da lei (o que significa não bater em outros carros nem atropelar pessoas durante as missões principais). Além disso, você pode quebrar uma gangue na porrada, hackear câmeras de segurança e prender traficantes para subir de nível mais rapidamente.

A última habilidade, “Triad”, é medida pela sua destreza em quebrar todo mundo na porrada enquanto faz as missões principais pela gangue. Infelizmente é a habilidade que permite o pior tipo de treinamento, pois só aparece nas missões principais, e se você não conseguir subir de nível facilmente, terá que REPETIR as mesmas missões para melhorar.

Por exemplo, eu acabei o jogo com nível 9 em Triad, porque deixei a patroa jogar a maioria das missões e ela não começou muito bem, perdendo muitos pontos no meio do jogo. No fim, quando ela já estava ótima, os pontos das missões principais não foram suficientes para chegar ao nível máximo. Ficar repetindo partes do jogo não é a forma mais legal de dar ao jogador a chance de subir de nível.

Além disso, existem estátuas espalhadas pelo mundo que pertencem ao seu antigo mestre. Recolhendo-as e as entregando ao sensei você adquire golpes especiais para usar nas lutas.

Apesar de ter esse tanto de coisa, fica a impressão de que Sleeping Dogs é um jogo pequeno. Talvez porque se você fizer apenas as missões principais, conseguirá termina-lo em duas ou três sentadas. Mas explorando a fundo, fazendo o máximo de missões diferentes que for possível, você consegue se divertir bastante.

Nota: 4 de 5 Bruce Lees

Cobertura da Copa das Confederações – Primeira Rodada

copa-das-confederacoes-2013-michael-renzetti

Balança a caxirola que vai começar a cobertura da Copa das Confederações Cup of Brasil – the Brasilian edition.

Nessa primeira rodada tivemos vitórias de Brasil, Itália e Espanha, como era de se esperar.

No jogo de nossa selecinha, metemos três golos no Japão, que me pareceu uma equipe bastante mediana (como a nossa). Neymar acertou um chute sensacional na gaveta do goleirão japonês após uma “semi-ajeitada” do Fred (todos sabemos que ele queria matar a pelota para si mesmo) e abriu o placar logo aos três minutos de jogo.

bola-da-copa-das-confederacoes-michael-renzetti

  ovo-do-yoshi

Neymar colocou a bola ovo do yoshi no ângulo.

Isso deu uma acalmada na peleja, visto que o Brasil passou a tocar bola mais tranquilamente e falar para o Japão “vai cara, toma a iniciativa desse negócio aí”. O Japão, que aparentemente nunca tomou iniciativa de uma partida na vida, não conseguiu produzir muito, a não ser alguns chutes despretensiosos e uma correria sem sentido.

honda-copa-das-confederacoes-michael-renzetti

Honda foi quem mais correu em campo

O Brasil do primeiro tempo foi um clássico time bom do Felipão. Não sabem fazer muita coisa, mas conseguem trabalhar direitinho e chegar ao gol. Não é a equipe mais fantástica do universo, mas é um time eficiente, que sabe o que fazer em campo.

O time jogou num 4-2-3-1, o esquema da moda, que contava com Neymar e Hulk nas pontas, Fred na referência e Oscar flutuando, tal qual um anjo, atrás dos atacantes. Até gosto desse esquema, mas acho que não funciona tão bem para a seleção. O meio-campo fica desfalcado, Neymar perde um pouco de sua magia sendo regalado a somente um lado do campo e não considero Hulk o mais criativo dos jogadores (a não ser que cortar para o lado e chutar toda hora seja sinônimo de criatividade e eu não esteja sabendo). No segundo tempo, Felipão colocou em prática um belo 4-4-2, esquema que eu gostaria de ver na seleção, com Hernanes completando o meio-campo junto a Paulinho, Luiz Gustavo e Oscar. Mas nesse segundo tempo o Felipão também colocou o Jô em campo, vai saber que tipo de droga ele estava utilizando, então não levemos em consideração.

Jô foi o propulsor das manifestações por todo o Brasil, que começaram com a raiva da população pela sua convocação e depois passaram para outros assuntos menos relevantes, como um país melhor. E nem toda a manifestação do mundo fez com ele parasse de marcar gols. Fez o terceiro tento brasileiro, no finalzinho da partida, após belo passe de Oscar.

jo-copa-das-confederacoes-michael-renzetti

“Sai da Seleção Jô”

O segundo jogo dessa primeira rodada de confederations cup foi entre Itália e México. Pirlo, com sua barba fenomenal e cobrança de falta perfeita, apesar do goleiro mexicano desistir de defender com as mãos num delírio em que pensava estar disputando um gol a gol, marcou o primeiro gol da partida.

A Itália estava bastante superior ao Japão por todo o primeiro tempo, mas o zagueirão BAZARI vendeu toda sua habilidade numa feira de garagem, acabou perdendo a bola e cometendo pênalti besta no filho ilegítimo de Ronaldinho Gaúcho. Chickenitos Hernandez converteu a cobrança.

chicarito-hernandez-copa-das-confederacoes-michael-renzetti

Hernandez comemorando o gol

O empate injusto se arrastou até boa parte do segundo tempo, quando Balotelli – sempre ele – marcou o gol da vitória italiana aos trancos e barrancos após cruzamento da direita. Na comemoração o louco jogador tentou mostrar seus músculos novamente, mas pecou pela falta de malhação e acabou somente com mais um cartão amarelo para sua coleção.

balotelli-copa-das-confederacoes-michael-renzetti

Totó

A última partida do dia foi entre Uruguai e Espanha. O time sulamericano não chegou a ver a cor da bola – vou contar para eles: parece o ovo do yoshi – por conta dos 482193859215872185428520572485724857420572845728 passes trocados pela equipe de Xavi e Iniesta.

A Espanha é uma maravilha de se ver jogar. Os caras não erram passe, são ótimos com a bola nos pés e não erram gol. Mas ao mesmo tempo é um pouco chato porque eles aprenderam a usar a troca de passe em excesso para se defender.

Se a bola fica quase que só com eles, o adversário não consegue marcar. O problema é que eles fazem o resultado que acham necessário – o 2 x 0 contra o próprio Uruguai – e param de atacar. Nisso, se o adversário consegue uma ou duas bolas paradas – como conseguiu o Uruguai –, os espanhóis passam por problemas. Tanto que acabaram levando o gol de falta do Suarez na partida da Copa das Confederações.

O mais impressionante para mim é que o time espanhol colocou os RESERVVAS Cazorla, Juan Mata e Javi Martinez, três dos melhores jogadores do mundo em suas posições. E são reservas. É outro mundo.

Para você ver, Juan Mata bota Oscar no banco no Chelsea e Javi Martinez bota Luiz Gustavo no banco no Bayern de Munique. Nossos titulares da seleção são reservas dos reservas da Espanha. É nossa vida.

O quarto e último jogo foi o mais legal, com certeza. A Nigéria venceu o maravilhoso Taiti por 6 x 1, placar bem conhecido por todos os belo horizontinos, no Mineirão. Muito legal o Taiti conseguir marcar um gol no nosso estádio, e mais legal ainda o resultado ser 6 x 1 para a gente poder zoar o Atlético um pouquinho.

The Strokes – Comedown Machine

The-Strokes-Comedown-Machine-michael-renzetti

O novo disco dos Strokes é uma obra diferente do que a banda sempre tentou trazer. Eles desistiram de reviver Velvet Underground e The Stooges, que não precisam e nunca precisaram ser revividos, e tentaram “homenagear” os anos 80, com canções que nos lembram de Blondie, além dos próprios Strokes revisitados com teclados e sintetizadores. E muitos falsetes.

Tap Out é a prova do parágrafo acima. Você consegue sentir a todo o momento o tom dos anos 80 na canção, que é muito bem construída e abre o disco de forma positiva. Eu consigo ver essa canção tranquilamente num disco do Blondie. Julian avisa que é uma coisa nova e diferente.

All That Time é aquele Strokes das antigas, aquele Strokes moleque. O contrário de tudo que disse até agora. Mas foi feita só pra te enganar, fazer você pensar que Room on Fire ou First Impressions of Earth estava de volta e que aquele lindo ano de 2003 se materializaria ao seu redor. Mas como os Strokes querem te lembrar a todo o momento nesse disco, o passado não volta (pelo menos o deles, pois os anos 80 estão aí) e a vida muda.

Eu rio com One Way Trigger toda hora por causa do vídeo dos bichos dançando tecnobrega. E é tecnobrega, é com um falsete estranho, mas tem um violão ótimo (coisa que não existe em The Strokes) e um sintetizador maluco. Não é culpa de Julian Casablancas que o nordeste estragou o teclado. Essa canção é excelente, uma das melhores do disco. Muito bem construída, forte, diferente e divertida. É só deixar de lado todo seu preconceito com estilos musicais diferentes e curtir.

Welcome to Japan não tem nada a ver com Strokes. Se você veio aqui procurando o novo Is This It ou um novo Room on Fire, pode voltar e baixar o disco do . Mas se você veio aqui buscando grandes canções, pode se sentar confortavelmente e desfrutar uma das melhores do disco. Vejo muita coisa parecida com o que Phoenix e The Killers fazem de melhor em seus discos nessa canção. Uma bela construção de batidas e melodias com muita referência aos anos 80 e um final forte.

80’s Comedown Machine poderia ser a melhor canção do disco. Seu verso é lindo. Esses sintetizadores estilo sanfona com a guitarra fazendo riffs simples e a bateria só acompanhando com uma batida uniforme dão à canção uma profundidade tremenda, uma sensação de calma, tranquilidade. O verso pede para o refrão ser explosivo e quebrar esse ritmo. Mas o refrão falha em fazer isso, e somente complementa a canção com uma passagem chata, fácil de ser esquecida.

50 50 é The Stooges, quem disse que eles esqueceram seu estilo favorito? Eu disse? Sério? Puta merda, vou lá apagar essa frase. É uma canção forte, mais levada para o punk. Julian com voz rasgada, gritando, tudo que os fãs adoram. É um resgate dos melhores momentos antigos, só que repaginado para combinar com o restante do disco.

Slow Animals é tudo que Phoenix fez até hoje, só que muito melhorado. É uma canção quase perfeita. Muito bem estruturada. Sua ponte me excita toda vez que entra em cena. É uma canção sexy. Tem um refrão poderoso, que faz o necessário, explodindo na hora exata. O final da canção é uma brincadeira de mal gosto de tão belo. Viram a versão rápida dela, a Fast Animals? É bem legal também.

Partners in Crime é a canção dançante do disco. Os instrumentos falam mais alto e sobrepujam a voz de Julian, que só se deixa levar pelo ritmo contagiante. O som do sintetizador foi ligado lá no alto e acompanha a melodia de forma divertida. As guitarras, que estavam sumidas, trabalham bem nessa faixa.

Chances é a experimentação do estilo em sua forma máxima. Pode ter sido o ponto inicial para a formação do disco. Um verso jocoso, com Julian cantando de forma relaxada, sem se importar tanto com métrica e forma, acompanhado por uma guitarra dedilhando riffs brincalhões. O refrão é o ponto alto da canção, uma pegada mais séria tanto da voz quanto dos instrumentos. A canção se expande e você consegue sentir o que eles querem transmitir. A melodia do refrão e a voz de Julian são de muita qualidade.

Happy Ending é, sem sombras de dúvida, a melhor canção do disco. É a que melhor faz a mistura desse novo Strokes. Pega os melhores ingredientes desse novo estilo que a banda deseja usar e os mistura ao Strokes dos gritos e solos de guitarra. A combinação é uma canção única, que deve agradar fãs antigos e novos.

Call it fate, Call it Karma é uma viagem, um passeio por lugares nunca caminhados pela banda. Novamente os instrumentos estão bem mais altos que a voz, e os ritmos de jazz, bossa nova mostram um Strokes bem aberto a novos estilos. É uma canção muito bem estruturada, seu refrão é excelente, com um falsete que combina com os instrumentos.

O disco é bem fechado, soa como uma unidade, completamente diferente do Angles, que parecia mais uma colcha de retalhos, feito cada músico no seu canto. É, pra mim, o segundo melhor disco da banda, ficando atrás apenas de Is This It.

Nota: 4 de 5 Jon Bon Jovis.

Minha cachorrinha matou um cara

Num desses textos anteriores, falava sobre como não gosto de ficar a madrugada inteira em festas. E o motivo para o texto era que tinha uma festa para ir no sábado. A formatura de um amigo meu.

E lá fomos nós para a tal formatura.
Foi bem divertido, comemos e bebemos bastante, dançamos Gangnam Style e ficamos lá até as 4 da manhã.

Pegamos um táxi de volta pra casa e, ao chegarmos na entrada, vimos que a porta da frente fora arrombada.

Fomos roubados, pensei.

Ao entrar na casa minha cachorrinha (a mesma do post de alguns dias atrás) apareceu, toda ensanguentada, chorando.

Esse filho da puta machucou minha cachorrinha, pensei.

Peguei ela no colo e estava me direcionando ao banheiro quando vi um corpo no chão.

Era de um homem alto, encapuzado. Um ladrão. O ladrão que havia arrombado a porta.

Chequei seu corpo e vi que ele estava morto. Olhando mais detalhadamente, vi que a causa da sua morte foram mordidas no pescoço. Juntei os fatos e cheguei à conclusão. Minha cachorrinha matou um cara.

Levei-a ao banheiro e a limpei. Ela não estava machucada. O sangue era todo do bandido.

Fiz o que qualquer um faria nessa situação. Liguei para a marinha, pedi para prepararem meu barco, cortei o bandido em vários pedaços, coloquei-o em sacos plásticos, fui para o meio do oceano e joguei o corpo dele lá.

Você acha que eu deixaria minha cachorrinha ir para a cadeia?