Às vezes me pego pensando em algo bem ruim. Fico imaginando se estou vivendo direito. Sabe do que estou falando? Penso nas coisas que faço e nas que deixo de fazer, no meu trabalho, e me pergunto se estou vivendo uma boa vida.

Em alguns aspectos minha resposta é não. Não estou vivendo a vida que sempre imaginei. Mas quem está? Talvez o Messi, Paul McCartney, uns caras que não são desse mundo. O resto vive fazendo concessões, se agarrando no que podem, largando os sonhos mais distantes. E acabo pensando que isso é a vida. Como disse o John Lennon, “a vida é o que acontece quando você está ocupado fazendo outros planos”.

Tento seguir esse pensamento. Não me preocupo tanto em planejar todos meus passos, a vida vai acontecendo, as coisas vão se encaixando (ou não).

Além disso, sou muito novo, apesar de achar 25 anos muito tempo pra não ter me destacado em nada. Tipo, o Ronald Rios, um cara que acho sensacional, tem uns 22, 23 anos e já teve programa na MTV, um programa de rádio e tá fazendo muita coisa por aí.

Acho que sou bom o suficiente para me destacar também. Mas vai saber. Fico com medo de deixar, ou já ter deixado a oportunidade passar.

Descobri recentemente que quero ser um escritor. Já tenho um livro mais ou menos terminado, outro bem iniciado (com umas trinta páginas) e ideias pra mais dois (já tenho até quatro páginas de um deles e uma boa definição do que vai acontecer).

Mas a vida de um escritor é muito difícil. Principalmente aqui no Brasil. Não conheço muitos escritores que fazem sucesso. Leio quase que exclusivamente coisas estrangeiras e vejo meu estilo próximo ao de Nick Hornby (leia Alta Fidelidade e Febre de Bola) e Douglas Adams (leia todos os livros da coleção O Mochileiro das Galáxias). E acho que isso é muito bom em alguns aspectos e péssimo em outros.

A literatura que faz mais sucesso aqui no Brasil é a de romances “água com açúcar”, histórias de amor, coisas que não tem nada a ver comigo. Além de best-sellers feitos exatamente para agradar pessoas que não leem com muita frequência, aqueles livros com uma história padrão, tipo filmes de ação do Bruce Willis. Assim, não espero fazer muito sucesso. Mas o que pode ser legal é que não tem tanta gente que escreve no meu estilo, assim posso ser algo “diferente”, e conquiste as pessoas que leem a mesma coisa que eu. Ou nada disso pode acontecer. Pode ser que ninguém leia nada que eu publique e pode ser que eu nem publique nada. Vai saber.

Mas depois desencano disso tudo. É só trabalho. Uma coisa que você – a não ser que tenha muita sorte – vai odiar mesmo. E o que importa no geral é ser feliz. Tem uma história muito legal do John Lennon (sempre ele) em que fala de felicidade.

“Quando eu tinha cinco anos de idade, minha mãe me dizia que a felicidade era a chave da vida. Quando fui para a escola, me perguntaram o que eu queria ser quando crescer. Eu escrevi que queria ser feliz. Eles disseram que eu não entendi a pergunta e eu lhes disse que eles não entendiam a vida.”

E é a mais pura verdade. Você tem mais é que ser feliz. E, nessa frente de batalha, a busca pela felicidade (veja o filme e escute a canção):

Acho que estou indo muito bem. Tenho minha noiva, mulher que me faz completamente feliz em sua presença, vamos nos casar daqui a pouco e vou poder ficar do lado dela o tempo todo (tirando a hora de trabalhar). Como diz Cole Porter, “toda vez que nos despedimos eu morro um pouco”.

E não sofrer mais disso pra mim é a felicidade.

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