Saíram notícias por aí de que está rolando um projeto para transformar o campeonato brasileiro no melhor torneio do mundo até 2015. Olha, vai precisar de muito, mais muito trabalho para transformá-lo pelo menos num campeonato assistível até 2015.

Acompanhei ontem Sport x Palmeiras, Atlético MG x Bahia e São Paulo x Inter. Três jogos horríveis. O primeiro era só chutão e dividida de cabeça. Um jogador do Sport tirava a bola da área, o do Palmeiras cabeceava de volta pra área, outro do Sport cabeceava para o meio, o do Palmeiras tentava dominar e a bola saía pela lateral. Não entendi até agora como os times conseguiram marcar gols com essas táticas inovadoras. No meio dessa partida começou o jogo do Atlético – ótimo controle de horários por parte da CBF – e troquei de canal.

Como diria Renato Russo, mais do mesmo. Chutão, faltas, simulações de faltas, simulações de simulações de faltas, simulações de chutão e nada de futebol. O Atlético era mais arrumadinho em campo, mas não conseguia produzir nada de interessante – arrumou o gol num pênalti mandrake – e o Bahia era uma brincadeira de mal gosto com o futebol e só marcou pois o Atlético tem o dom de arrumar os piores goleiros para suas metas. Fim de jogo, um a um, e esperava o começo de São Paulo x Inter, grande clássico. Mas aí os jogadores das duas agremiações, tal qual trabalhadores do metrô, resolveram não aparecer, mandaram uns peladeiros no lugar e esses amadores fizeram uma partida horrorosa, decidida por um gol de falta numa falha do goleiro.

O programa “A Fazenda” estava muito mais interessante que o jogo, pra você ver o nível, com uma bela discussão entre Vivianne Araújo e Nicole Bahls. A primeira acusava a segunda de ser falsa por lhe dar beijinhos. Dizia Vivi ex-Belo que a ex-Panicat dava em cima do seu marido e que lhe dizia estar sendo perseguida pelo rapaz. Ela confirmou que tudo era mentira, pois foi VERIFICAR. Ótimo.

Eu até gosto do campeonato brasileiro, mas acho que é só porque tem jogos do Cruzeiro nele. Tirando isso, acho-o um torneio de nível baixíssimo. Dizem que é o mais disputado, que é imprevisível, e isso é verdade. Mas ele é disputado e imprevisível por ser o mais bagunçado possível, e isso não é nenhuma qualidade. Times que disputam o título num ano e disputam o rebaixamento no outro são mal administrados, não é que o campeonato é tão bom assim para o recém-campeão ser ameaçado. Os times fortes da Europa sempre são fortes, pois eles não se desfazem temporada após temporada ou trocam de técnico de dois em dois meses.

A primeira mudança que deve ser feita são os gramados. Não se pode deixar times profissionais jogarem futebol de primeira divisão num estádio como o do Náutico. É ridículo. E esteticamente podre. Compare um jogo nos Aflitos com algum no Emirates Stadium. Podem ser os mesmos times disputando as duas partidas que o jogo de Londres vai parecer melhor. Até o André Santos parece bom de bola por lá, porque não o Náutico?

Outra coisa que deveria mudar drasticamente é a presença de torcedores nos estádios. Aqui no “país do futebol”, em média, sete ou oito mil pessoas vão aos estádios, enquanto que na Inglaterra, o verdadeiro país do futebol, todos os estádios têm mais de 80% de suas capacidades preenchidas. Não sei se a culpa é do horário, da bagunça na hora de comprar os ingressos, o preço das entradas ou a violência – que nem vejo tanto assim –, mas acho que algo deve ser feito para que mais torcedores apareçam para torcer por suas equipes.

Já estamos no caminho certo ao fazer com que a liga seja mais atraente para estrelas brasileiras, afinal um campeonato com Neymar, Leandro Damião, Luís Fabiano, Fred, Ronaldinho Gaúcho, Vágner (ou seria Wagner?) Love, Montillo, Juninho Pernambucano, entre outros, é de se respeitar. Mas se essas estrelas jogam ao lado de amadores, em péssimos gramados, em péssimos horários, com pouquíssima torcida para acompanha-los, de que vale ficarem aqui?

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