Todo mundo já roubou chocolate no supermercado. É o clichê dos clichês dos clichês das historinhas bonitinhas de roubinhos bonitinhos que você conta para os amigos numa mesa de bar, se é que tal coisa existe. Mas tenho a mais plena certeza que ninguém inconscientemente roubou um chocolate e coagiu sua namorada a fazê-lo também. Eu fiz isso.

Estávamos Renata e eu no Carrefour, ou Extra, um desses supermercados – o que fica no Minas Shopping – comprando coisas. Acho que íamos fazer um almoço diferente, algo do tipo, na minha casa. Morava no Palmares na época. Tenho quase certeza de que o prato a ser preparado era um strogonoff de carne. Minha mãe faz o melhor strogonoff de carne do mundo e eu tentava copiá-lo, sem muito sucesso. Ela utiliza a água da carne juntamente com seus temperos para fazer o molho, que fica diferente de tudo que eu já provei na vida. O segredo é misturar essa água com ketchup, mostarda, molho e no fim, com o fogo desligado, adicionar pouco creme de leite. O strogonoff não fica com aquela cor rosa da maioria. Fica mais vermelho, mais madeira. Sensacional.

Pegamos todos os ingredientes e nos dirigimos ao caixa. Renata disse que havia se esquecido de algo – coisa que depois descobri ser uma tradição – e voltou aos corredores, me deixando sozinho na fila. O supermercado do Minas Shopping tem uma grande fila de “até 10 itens” que não faz valer a pena você comprar apenas dez itens por ser muito maior que todas as outras. Depois de um tempo ela voltou com dois chocolates nas mãos e me entregou um deles dizendo que era a sobremesa. Sem pensar, enfiei o chocolate no bolso, na frente do caixa. Ela olhou para aquela cena, deu uma espiada a seu redor e enfiou o chocolate em seu bolso também. Chegou nossa vez, pagamos as compras e saímos do supermercado. Lá fora ela me perguntou por que eu havia roubado o chocolate. Não sabia do que ela estava falando. Levei a mão ao bolso e constatei que o chocolate que ela havia me dado não era um presente e sim um item do supermercado que deveria ter pagado.

Roubei um chocolate, pensei. Olhei para ela e vi que também tinha em suas mãos um chocolate que não passou pelo caixa. Perguntei se ela também tinha se esquecido de pagar. Ela disse que não. Que me viu roubando o chocolate e achou que era para fazer o mesmo.

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