Estava lendo o livro 127 horas, motivado pelo filme divertido, mas não consegui me aprofundar muito. Não estava no clima. Havia lido há algum tempo Misto Quente do Bukowski e queria mais. Acabei comprando vários livros do autor, como o Cartas na rua, seu primeiro romance. Tenho essa coisa de querer sempre começar pelo começo, pode ser com livros, filmes, discos ou jogos. Gosto de seguir a ordem cronológica. Se lançou primeiro eu vou ler, assistir, ouvir, jogar primeiro.Essa não é uma prática muito boa, pois você fica preso a uma obra – muitas vezes insignificante – não podendo disfrutar de outras mais valorosas. Isso acontece muito mais com jogos de videogame do que com qualquer outra coisa. Por exemplo, estou com o Mass Effect 2 em casa, para Playstation 3 e não consigo jogá-lo antes de zerar o primeiro, que tenho somente no pc. A mesma coisa acontece com o jogo do Batman, e assim por diante.

Sou mais flexível quanto a livros. Vou atrás, primeiramente, da principal obra do autor e depois tento descobrir qual foi o primeiro lançamento. Com isso posso perceber facilmente as diferenças no estilo, quais as características que permaneceram, o que foi melhorado e o que piorou. O Cartas na rua é infinitamente inferior ao Misto Quente. É um excelente livro, mas muito inferior. A narrativa é parecida, Henry Chinaski narra como o mundo a sua volta é irritante e idiota, mas tudo é mais rápido, faltam detalhes aos eventos, o tempo corre. No Misto Quente ficamos presos a uma época, a juventude de Henry e vivemos aquele período com ele. Já no Cartas na rua passamos por muitos momentos de sua vida rapidamente, seus diversos empregos, suas diversas mulheres, suas viagens. Acho que ele poderia ter feito vários livros das partes que narrava por alto em sua história. Os 90 dias de licença dos correios e sua viagem poderiam ter sido mais bem explorados, seu tempo no interior também poderia ter tido um maior detalhamento, dava para ter feito mais.

Mas é o primeiro romance. No primeiro você enche de coisa relevante, conta tudo que viveu, tudo que fez e deixou de fazer, seus pensamentos, seus problemas, suas dúvidas e angústias, tudo ganha voz e, as vezes, é muito para a obra inicial. Senti isso com Cartas na rua. Uma história básica de seus dias de carteiro pelas ruas dos Estados Unidos já me serviria – claro, se as outras histórias fossem lançadas separadamente. Mas estou reclamando de barriga cheia, de mais conteúdo, e isso não faz o mínimo sentido então vou terminar por aqui.

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