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Comecei uma nova moda na minha vida. Agora eu faço uma hora de bicicleta por dia e sim, eu comprei uma bicicleta ergométrica, e sim, ela é horrível e não tem nada a ver com as bicicletas de academia. Ok, continuando.

Estou fazendo exercícios porque estou com uma barriguinha. Alguns dizem que é sexy, outros dizem que ela faz de mim um homem distinto, terceiros dizem que fico melhor assim. Todos estão mentindo.

E para ficar fazendo uma hora de bicicleta por dia eu teria que completar essa atividade com alguma coisa prazerosa, então resolvi assistir filmes enquanto pedalo (coisa linda que você aí, amante de academia, não pode fazer).

O filme da vez foi O Palhaço, do Selton Mello.

A história é sobre um palhaço, Benjamin (Selton Mello), que administra um pequeno circo, o Esperança, e viaja pelo interior do Brasil fazendo humildes shows. Já suspeitamos desde o princípio que Benjamin está meio cansado da vida de circo, pelas dificuldades que encontra e os problemas que deve resolver – o melhor e mais divertido deles é encontrar um novo sutiã para uma de suas companheiras.

Ao passar do filme vamos percebendo o cansaço de Benjamin, e descobrimos que seu maior sonho é um ventilador – que representa um maior conforto para o personagem.

Apesar de não gostar muito de atuações brasileiras – não sei se é porque os atores brasileiros não são muito bons, se eu estou acostumado com atuações norte-americanas ou se sou retardado – adorei o filme. A direção de arte e a fotografia de O Palhaço não ficam atrás de ninguém, e, se pá, te digo que é bem parecida e tão bem feita quanto as melhores coisas do Wes Anderson (#chora #hipster).

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Wes Anderson curtiu isso

A história flui de uma maneira divertida, sempre com acontecimentos relevantes e agradáveis por toda a trama, e é muito bem estruturada. Apesar de partir do clichê do palhaço deprimido e do outro clichê, de que as pessoas não sabem o que realmente querem fazer da vida, o roteiro não é batido, e os pequenos detalhes de cada diálogo e cada cena são muito bem feitos e impressionam. Nunca vi um filme brasileiro tão completo como O Palhaço.

O estopim para a mudança de Benjamin foi a sua prisão, provocada por uma briga entre os outros integrantes de sua trupe num bar. Cansado, o personagem sai do circo em busca de uma mulher que lhe elogiou após uma apresentação. E é claro que quando ele chega ao trabalho da mulher, ela está prestes a se casar.

O final, quando Benjamin volta ao circo no meio da apresentação de seu pai (Valdemar, o outro palhaço) é lindo. A filha de um casal da trupe de Benjamin, Guilhermina, substitui a ex-namorada de Valdemar (que roubava dinheiro e o traía) e faz sua apresentação. Todos se emocionam e a aplaudem. A cena seguinte, em que ela passa por todos os integrantes da trupe e se deita na cama, de frente para o ventilador que Benjamin comprou em seu exilio é muito divertida e demonstra que ali está seu conforto, ali é seu lugar.

NOTA DO FILME: 5 Junos de 5 possíveis.

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