The-Strokes-Comedown-Machine-michael-renzetti

O novo disco dos Strokes é uma obra diferente do que a banda sempre tentou trazer. Eles desistiram de reviver Velvet Underground e The Stooges, que não precisam e nunca precisaram ser revividos, e tentaram “homenagear” os anos 80, com canções que nos lembram de Blondie, além dos próprios Strokes revisitados com teclados e sintetizadores. E muitos falsetes.

Tap Out é a prova do parágrafo acima. Você consegue sentir a todo o momento o tom dos anos 80 na canção, que é muito bem construída e abre o disco de forma positiva. Eu consigo ver essa canção tranquilamente num disco do Blondie. Julian avisa que é uma coisa nova e diferente.

All That Time é aquele Strokes das antigas, aquele Strokes moleque. O contrário de tudo que disse até agora. Mas foi feita só pra te enganar, fazer você pensar que Room on Fire ou First Impressions of Earth estava de volta e que aquele lindo ano de 2003 se materializaria ao seu redor. Mas como os Strokes querem te lembrar a todo o momento nesse disco, o passado não volta (pelo menos o deles, pois os anos 80 estão aí) e a vida muda.

Eu rio com One Way Trigger toda hora por causa do vídeo dos bichos dançando tecnobrega. E é tecnobrega, é com um falsete estranho, mas tem um violão ótimo (coisa que não existe em The Strokes) e um sintetizador maluco. Não é culpa de Julian Casablancas que o nordeste estragou o teclado. Essa canção é excelente, uma das melhores do disco. Muito bem construída, forte, diferente e divertida. É só deixar de lado todo seu preconceito com estilos musicais diferentes e curtir.

Welcome to Japan não tem nada a ver com Strokes. Se você veio aqui procurando o novo Is This It ou um novo Room on Fire, pode voltar e baixar o disco do . Mas se você veio aqui buscando grandes canções, pode se sentar confortavelmente e desfrutar uma das melhores do disco. Vejo muita coisa parecida com o que Phoenix e The Killers fazem de melhor em seus discos nessa canção. Uma bela construção de batidas e melodias com muita referência aos anos 80 e um final forte.

80’s Comedown Machine poderia ser a melhor canção do disco. Seu verso é lindo. Esses sintetizadores estilo sanfona com a guitarra fazendo riffs simples e a bateria só acompanhando com uma batida uniforme dão à canção uma profundidade tremenda, uma sensação de calma, tranquilidade. O verso pede para o refrão ser explosivo e quebrar esse ritmo. Mas o refrão falha em fazer isso, e somente complementa a canção com uma passagem chata, fácil de ser esquecida.

50 50 é The Stooges, quem disse que eles esqueceram seu estilo favorito? Eu disse? Sério? Puta merda, vou lá apagar essa frase. É uma canção forte, mais levada para o punk. Julian com voz rasgada, gritando, tudo que os fãs adoram. É um resgate dos melhores momentos antigos, só que repaginado para combinar com o restante do disco.

Slow Animals é tudo que Phoenix fez até hoje, só que muito melhorado. É uma canção quase perfeita. Muito bem estruturada. Sua ponte me excita toda vez que entra em cena. É uma canção sexy. Tem um refrão poderoso, que faz o necessário, explodindo na hora exata. O final da canção é uma brincadeira de mal gosto de tão belo. Viram a versão rápida dela, a Fast Animals? É bem legal também.

Partners in Crime é a canção dançante do disco. Os instrumentos falam mais alto e sobrepujam a voz de Julian, que só se deixa levar pelo ritmo contagiante. O som do sintetizador foi ligado lá no alto e acompanha a melodia de forma divertida. As guitarras, que estavam sumidas, trabalham bem nessa faixa.

Chances é a experimentação do estilo em sua forma máxima. Pode ter sido o ponto inicial para a formação do disco. Um verso jocoso, com Julian cantando de forma relaxada, sem se importar tanto com métrica e forma, acompanhado por uma guitarra dedilhando riffs brincalhões. O refrão é o ponto alto da canção, uma pegada mais séria tanto da voz quanto dos instrumentos. A canção se expande e você consegue sentir o que eles querem transmitir. A melodia do refrão e a voz de Julian são de muita qualidade.

Happy Ending é, sem sombras de dúvida, a melhor canção do disco. É a que melhor faz a mistura desse novo Strokes. Pega os melhores ingredientes desse novo estilo que a banda deseja usar e os mistura ao Strokes dos gritos e solos de guitarra. A combinação é uma canção única, que deve agradar fãs antigos e novos.

Call it fate, Call it Karma é uma viagem, um passeio por lugares nunca caminhados pela banda. Novamente os instrumentos estão bem mais altos que a voz, e os ritmos de jazz, bossa nova mostram um Strokes bem aberto a novos estilos. É uma canção muito bem estruturada, seu refrão é excelente, com um falsete que combina com os instrumentos.

O disco é bem fechado, soa como uma unidade, completamente diferente do Angles, que parecia mais uma colcha de retalhos, feito cada músico no seu canto. É, pra mim, o segundo melhor disco da banda, ficando atrás apenas de Is This It.

Nota: 4 de 5 Jon Bon Jovis.

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